Janus

agora chegou o momento de recomeço

agora chegou a hora da grande mudança

esquecer totalmente do primeiro começo

agora é a hora da realização da esperança

todos têm  a  oportunidade de nova história

momento de abandonar todo o passado

então,  apagar enfim toda a memória

para viver o novo projeto dourado

porém, amigos,  a maior dificuldade

se encontra nos escombros da memória

precisamos faxinar a neurocidade

todo o empenho é necessário

afim de edificar a nova história

identidade reconstruída de modo vário. 

 

 

No 12º  Ciclo Solar


Embora neste hemisfério seja verão

As pessoas fazem fantasias de inverno

Decoram suas casas com grande ilusão

pensando em alegria e festas


Por que nao adaptam a festa de Natal?

Por que nao vivem em sua terra  a alegria

transposta e renovada em todo o fanal. 

de sua própria lida e sua própria cria?


mas parece mais fácil repetir

o que importamos do velho mundo

nada há aqui para substituir?


E neste corre-corre de desejos

Muitas vezes nós  esquecemos

A Personagem principal dos festejos 

 

 

República

 

embora o astro-rei tenha se erguido

...continuamos caidos no vale de Megido

embora a noite tenha terminado

a escuridão cobre nosso fado


mas o arauto do império do trabalho 

ameaça proclamar  nosso  ato-falho

entre a chuva controlada do chuveiro

ainda devaneio o sumiço do chaveiro


...assim trancado e sem chaves

escovaremos nossos dentes

declararemos, enfim nossas pazes

 

subverteremos a ordem pública

Voltaremos a alcova-nubentes

fundando nova república

Esta Chegando o dia do Poeta.

(20.10.11)

A questão é para que serve o poeta?

Ou a quem serve o Poeta?

Ou ainda onde está a Poesia?

Precisa de um dia no ano para isto?

Ou todos os dias pertencem a todos?

Insônia, mestra da arte.

Na última noite acordei, depois de um sonho, antes do amanhecer.

Mas  não tenho em mente nenhum objetivo prático. Viver!?

Entre as imagens oníricas ainda rastejo pelos escombros da memória.

Estilhaços d´ uma lendária e mui antiga  história.

Depois de séculos parece-me que as épocas se repetem

Como a moda em  movimento pendular, vai-e-vem.

E as eras de minha própria trajetória se mesclam no presente

Dentro de estranha mistura de um futuro ausente.

mas não venho aqui, nunca para lamentar o passado

ou praguejar sobre o futuro do folhetim dourado

na verdade eu não gostaria de falar sobre nada

nem sobre núvens ou chuvas, num brisa parada.

Na verdade a velha insônia, mestra da arte

Me despertou para observar mutações em marte  

...não sei ao certo se as mutações estão ocorrendo  lá

ou são apenas impressões pelo lado de cá

 

Há um mistério nas marcas que o tempo deixa.

 

Impressiona-me como de repente contemplamos as marcas do tempo em nossa face.

Marcas que são uma mascara sobre a face da criança de outrora.

Marcas que apontam para um relógio que corre inexoravelmente para um futuro.

Futuro que se torna presente e... também segue para o túnel mofo do passado.

 

As fotografias são ameaças ao equilibrio e a sanidade.

Documentam sonhos e lembranças de um  passado-presente.

 

Cade aquele menininho de olhos grandes e cabelos revoltos?

Onde foi parar aquela menininha inquieta e  sorriso de sol?

....hoje passeia entre escombros de uma história de guerra.

ou está ao celular falando com a mãe-babá sobre seu infante.

...seu  príncipe está no trânsito vociferando palavrões.

 

Papai alegria esta em seu aposento recitando preces rituais...

Ou na cadeira da sala de estar, parte da decoração --- retrô?

Os netos são sua antítese. Ultrage blasfemo do Tempo!

...mas da barriga da vizinha virá o salvador da cidade.

 




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Neste mes a sugestão é Thiago Mello.

Poeta da amazônia brasileira um verdadeiro humanista.

Ele já deve ser octogenário. Seu trabalho tem a força do brasil profundo.

Um verdadeiro cronista do norte do Brasil.

Porém um garboso escriba.

 

 

É tempo de ler M.Quintana.

Talvez os mais brincalhão de todos os poetas brasileiros.

Ao lado de M.Andrade faz parceria lúdica e alegre.

 

Acho que é hora de ler João C. de Mello Neto.

Não sei, depois de viajar ao local da obra da construção da

UHE de Santo Antônio, parece-me que uma visita a "casa" do

poeta pernambucano pode ser uma epifania,  o encontro da chave.

A Palavra

Dizem que a palavra "crise" em chinês tem um pictograma que

representa ao mesmo tempo perigo e oportunidade.

A escolha é de cada um de como encarar essa esfinge.

 

Nota Sobre o II-Festival de Poesia Sacra.

 

Foi uma data memorável. Tivemos a presença de

Francisco M.Melo; Rafael Máximo, claudio R.Santos.

Com duas palestras pelos professores:

Afonso Rodrigues e Odir Monteiro.

Em 18,19 de março em Riachuelo.

Pelo menos não passou em branco o dia

Nacional de Poesia.   

O Amor

Todas essas coisas o amor fará por vós a fim de

que vos torneis sabedores dos segredos de vossos corações

e que, imbuídos desse saber, vos transformeis num fragmento do coração da Vida.

Mas se, por receio desejais buscar somente a paz e o gozo do amor,

e melhor cobrir vossa nudez, e abandonai a eira do amor,

Para que possais entrar no mundo sem estações,

onde podereis rir, mas não todo o vosso riso, e chorar,

mas não todo o vosso pranto.

O amor dá de si mesmo apenas, e nada recebe

senão de si próprio.

O amor não possui nem quer ser posúído;

pois o amor ao amor se basta. 

Quando amardes, não deveríeis dizer: "Deus está em meu coração",

mas sim: "Eu estou no coração de Deus".

E não pensai que seríeis capazes de determinar seu curso.

pois o amor, se considerar-vos dignos, direcionar-vos-á. 

Gibran K.Gibran - in: O Profeta. P.19,20.  

Fernando PessoaPoesias Inéditas  Bem, hoje que estou só e posso ver 
Bem, hoje que estou só e posso ver 
      Com o poder de ver do coração 
Quanto não sou, quanto não posso ser, 
      Quanto se o for, serei em vão, 

Hoje, vou confessar, quero sentir-me 
      Definitivamente ser ninguém, 
E de mim mesmo, altivo, demitir-me 
      Por não ter procedido bem. 

Falhei a tudo, mas sem galhardias, 
     Nada fui, nada ousei e nada fiz, 
Nem colhi nas urtigas dos meus dias 
     A flor de parecer feliz. 

Mas fica sempre, porque o pobre é rico 
     Em qualquer cousa, se procurar bem,  
A grande indiferença com que fico. 
     Escrevo-o para o lembrar bem. 

Fernando PessoaPoesias Inéditas  Bem, hoje que estou só e posso ver 
Bem, hoje que estou só e posso ver 
      Com o poder de ver do coração 
Quanto não sou, quanto não posso ser, 
      Quanto se o for, serei em vão, 

Hoje, vou confessar, quero sentir-me 
      Definitivamente ser ninguém, 
E de mim mesmo, altivo, demitir-me 
      Por não ter procedido bem. 

Falhei a tudo, mas sem galhardias, 
     Nada fui, nada ousei e nada fiz, 
Nem colhi nas urtigas dos meus dias 
     A flor de parecer feliz. 

Mas fica sempre, porque o pobre é rico 
     Em qualquer cousa, se procurar bem,  
A grande indiferença com que fico. 
     Escrevo-o para o lembrar bem. 

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