Conclusões de um poeta

Entre o certo e o errado

Um ponto foi colocado

Somente para indicar

Onde se deva passar

Nesse mundo turbulento

Fazendo do Pensamento

A máquina demolidora

Ou a força construtora

dependendo do momento.

(.......)

Francisco M. Melo

in: frutos de Leitura

      O bardo de Ji-Paraná, RO.

Salmo 45:1-4

Com o coração vibrando de boas palavras recito os meus versos em honra ao Rei;

Seja a minha língua como a pena de hábil escritor.

És dos homens o mais notável; derramou-se graça de teus lábios,

visto que Deus te abençoou para sempre.

 

Na tua majestade cavalga vitoriosamente pela verdade,

pela misericórdia e pela justiça;

que tua mão direita realize feitos gloriosos.  

Volte e ouça Neruda

Recomendo visitar o site (abaixo, no fim) Pablo Neruda. Na juventude me apresentaram ele. Mas, não gostei. Naquela época não estava com o ouvido afinado para ouví-lo.

Agora retomo a conferência interdita. E me deliciei com seus versos bucólicos, românticos e singulares. Falam da vida, do amor, do exercício de viver em comunidade.

Presença/ausência, lucidez e insanidade duas faces da mesma moeda.

www.fabiorocha.com.br/neruda.htm

Veja os Persas

Esta semana recomendo a leitura de poetas persas.

Empreenda uma busca na rede com o apoio de Gulliver.

Ele foi um grande navegante e sabe qual o melhor caminho.

Os persas decantaram a vida de modo belo e tocante.

Melhor que ingleses, portugueses e franceses. 

Ferdusi, Al Khayyam, etc. podem ser o início de sua grande jornada.

não foi á toa que Platao falavra sobre a busca do bom, belo e útil como

a vida ética, a vida superior.  A poesia é uma das ferramentas deste processo.  

A  floresta de palavras

sei que estava caminhando por uma floresta.

sei que bem pouco de tempo me resta

nesta jornada por este vasto mundo

...ameaça a sorte de Giordano Bruno

Ao longe diviso o palácio das apologias

o trajeto percorre tristes vias

a bagagem pesa mais que os planos

elaborados em outros anos...

a esperança ficou na linha de largada

a coragem perdeu-se na terra adorada.

caminhamos, enfim entre grandes palavras

e pontes partidas de abre-ca-da-bras 

 

 

 

    O BANQUETE 

A serve para aumentar

o arsenal para matar

bunda-moles que atravessam o caminho dos

capatazes e régulos do mundo novinho  

 

depois de toda a temporada de caça à  raposa

emcaminhamos os convites para o

festim da celebração da noite de Mari   posa

graças aos deuses do Olimpo.

 

 

Hoje é o dia da anunciação

Irmãos meus! Venham ao palácio real

Já chegou o momento da abolição

Kamikases das letras são personas non gratas

 

Leiam bem este convite solene     

Muitos não entenderão as belas letras

Não, não é importante  manter o leme

Orlando trará guaranás...  

 

Passaremos aos finalmentes

Quiçá antes da madrugada

Ruidosamente saudaremos  o Regente

Sem muita cerimônia despe Prada 

 

Tantas noites perdidas

Urais urram para nossos lobos

Vetustas honras,  inversas crisálidas

Xerxes se entrete com os robôs  

Zilhões de canapés e intrigas...   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Nexo-Convexo

  

Olho  a lua navegante

Sob um céu límpido

Diverso do replicante

Na floresta perdido

 

O replicante  questiona

Ela? Apenas reflexo

A pergunta Desdêmona

...soou sem nexo 

 

Justifica que apenas

Retransmite, aladas,   

as mesmas penas

que lhe são segredadas

um pouco de história da literatura lírica.

http://www.gargantadaserpente.com/historia/trovadorismo/satirico.shtml

Na praia de Carapebus -1925 

Como é linda a melodia 
que se escuta à beira-mar!
 
Eu quizera, noite e dia,
 
Poder sempre a escutar
 

Muitas vezes ouço as  aguas 
A cantar tão tristemente
 
Que, por certo, muitas maguas
 
Ellas têm, tal qual a gente.
 

Outras vezes tão baixinho 
O mar canta o, mar murmura
 
Que, parece, de mansinho
 
Elle fala com ternura.
 

Lua vos certos momentos 
Assemelha-se a um queixume.
 
Penso até que com lamentos
 
Elle chora de ciume...

Maria Isabel Ribeiro de Castro de Almeida Pereira

A marcha  inexorável do tempo faz surgir em nós ilusões de progresso,

quando na verdade estamos retrocedendo a vida primitiva de homem das cavernas.

Estamos inertes, mas imaginamos estar num foguete rumo a novos e maravilhosos planetas.

Os sons da terra, as vozes da terra, milhões de milhões, ilusóriamente imaginam comunicar,

quando na verdade emitimos ruídos e uma cacofonia infernal que reputamos por sinfonias

sublimes de mestres das músicas de todos os tempos.

Não há mensagem real. Arabescos, caricaturas de uma experiência.

A experiência da queda. Do jardim do paraíso ao deserto da terra.  

Descendo para regiões abissais.  

A principla viagem do homem, muitas vezes, jamais é empreendida. 

O obscuro mundo desconhecido, denominado Autoconhecimento.

 

AMOR É PROSA, SEXO É POESIA



Sábado, fui andar na praia em busca de inspiração para meu artigo de jornal. Encontro duas amigas no calçadão do Leblon:
- Teu artigo sobre amor deu o maior auê... – me diz uma delas.
- Aquele das mulheres raspadinhas também... Aliás, que você tem contra as mulheres que barbeiam as partes? – questiona a outra.
- Nada... – respondo. – Acho lindo, mas não consigo deixar de ver ali nas partes dessas moças um bigodinho sexy... não consigo evitar... Penso no bigodinho do Hitler, do Sarney... Lembram um sarneyzinho vertical nas modelos nuas... Por isso, acho que vou escrever ainda sobre sexo...
Uma delas (solteira e lírica) me diz:
- Sexo e amor são a mesma coisa...
A outra (casada e prática) retruca:
- Não são a mesma coisa não...
Sim, não, sim, não, nasceu a doce polêmica ali à beira-mar. Continuei meu cooper e deixei as duas lindas discutindo e bebendo água-de-coco. E resolvi escrever sobre essa antiga dualidade: sexo e amor. Comecei perguntando a amigos e amigas. Ninguém sabe direito. As duas categorias trepam, tendendo ou para a hipocrisia ou para o cinismo; ninguém sabe onde a galinha e onde o ovo. Percebo que os mais “sutis” defendem o amor, como algo “superior”. Para os mais práticos, sexo é a única coisa concreta. Assim sendo, meto aqui minhas próprias colheres nesta sopa.
O amor tem jardim, cerca, projeto. O sexo invade tudo isso. Sexo é contra a lei. O amor depende de nosso desejo, é uma construção que criamos. Sexo não depende de nosso desejo; nosso desejo é que é tomado por ele. Ninguém se masturba por amor. Ninguém sofre de tesão. O sexo é um desejo de apaziguar o amor. O amor é uma espécie de gratidão posteriori pelos prazeres do sexo.
O amor vem depois, o sexo vem antes. No amor, perdemos a cabeça, deliberadamente. No sexo, a cabeça nos perde. O amor precisa do pensamento.
No sexo, o pensamento atrapalha; só as fantasias ajudam. O amor sonha com uma grande redenção. O sexo só pensa em proibições: não há fantasias permitidas. O amor é um desejo de atingir a plenitude. Sexo é o desejo de se satisfazer com a finitude. O amor vive da impossibilidade sempre deslizante para a frente. O sexo é um desejo de acabar com a impossibilidade. O amor pode atrapalhar o sexo. Já o contrrário não acontece. Existe amor sem sexo, claro, mas nunca gozam juntos. Amor é propriedade. sexo é posse. Amor é a casa; sexo é invasão de domicílio. Amor é o sonho por um romântico latifúndio; já o sexo é o MST. O amor é mais narcisista, mesmo quando fala em “doação”. Sexo é mais democrático, mesmo vivendo no egoísmo. Amor e sexo são como a palavra farmakon em grego: remédio e veneno. Amor pode ser veneno ou remédio. Sexo também – tudo dependendo das posições adotadas.
Amor é um texto. Sexo é um esporte. Amor não exige a presença do “outro”; o sexo, no mínimo, precisa de uma “mãozinha”. Certos amores nem precisam de parceiro; florescem até mas sozinhos, na solidão e na loucura. Sexo, não – é mais realista. Nesse sentido, amor é uma busca de ilusão. Sexo é uma bruta vontade de verdade. Amor muitas vezes e uma masturbação. Seco, não. O amor vem de dentro, o sexo vem de fora, o amor vem de nós e demora. O sexo vem dos outros e vai embora. Amor é bossa nova; sexo é carnaval.
Não somos vítimas do amor, só do sexo. “O sexo é uma selva de epiléticos” ou “O amor, se não for eterno, não era amor” (Nelson Rodrigues). O amor inventou a alma, a eternidade, a linguagem, a moral. O sexo inventou a moral também do lado de fora de sua jaula, onde ele ruge. O amor tem algo de ridículo, de patético, principalmente nas grandes paixões. O sexo é mais quieto, como um caubói – quando acaba a valentia, ele vem e come. Eles dizem: “Faça amor, não faça a guerra”. Sexo quer guerra. O ódio mata o amor, mas o ódio pode acender o sexo. Amor é egoísta; sexo é altruísta. O amor quer superar a morte. No sexo, a morte está ali, nas bocas... O amor fala muito. O sexo grita, geme, ruge, mas não se explica. O sexo sempre existiu – das cavernas do paraíso até as saunas relax for men. Por outro lado, o amor foi inventado pelos poetas provinciais do século XII e, depois, revitalizado pelo cinema americano da direita cristã. Amor é literatura. Sexo é cinema. Amor é prosa; sexo é poesia. Amor é mulher; sexo é homem – o casamento perfeito é do travesti consigo mesmo. O amor domado protege a produção. Sexo selvagem é uma ameaça ao bom funcionamento do mercado. Por isso, a única maneira de controla-lo é programa-lo, como faz a indústria das sacanagens. O mercado programa nossas fantasias.
Não há saunas relax para o amor. No entanto, em todo bordel, FINGE-SE UM “AMORZINHO” PARA INICIAR. O amor está virando um “hors-d’oeuvre” para o sexo. O amor busca uma certa “grandeza”. O sexo sonha com as partes baixas. O PERIGO DO SEXO É QUE VOCÊ PODE SE APAIXONAR. O PERIGO DO AMOR É VIRAR AMIZADE. Com camisinha, há sexo seguro, MAS NÃO HÁ CAMISINHA PARA O AMOR. O amor sonha com a pureza. Sexo precisa do pecado. Amor é o sonho dos solteiros. Sexo, o sonho dos casados. Sexo precisa da novidade, da surpresa. “O grande amor só se sente no ciúme” (Proust). O grande sexo sente-se como uma tomada de poder. Amor é de direita. Sexo, de esquerda (ou não, dependendo do momento político. Atualmente, sexo é de direita. Nos anos 60, era o contrário. Sexo era revolucionário e o amor era careta). E por aí vamos. Sexo e amor tentam mesmo é nos afastar da morte. Ou não; sei lá... e-mails de quem souber para o autor.

Arnaldo Jabor


 

Soneto - Gregório de Matos 

7/4/1633* - 1696 +. 

 

   

Carregado de mim ando no mundo,

 

E o grande peso embarga-me as passadas,

 

Que como ando por vias desusadas,

 

Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.

 

 

 

O remédio será seguir o imundo

 

Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,

 

Que as bestas andam juntas mais ornadas,

 

Do que anda só o engenho mais profundo.

 

 

 

Não é fácil viver entre os insanos,

 

Erra, quem presumir, que sabe tudo,

 

Se o atalho não soube dos seus danos.

 

 

                     

O prudente varão há de ser mudo,

 

Que é melhor neste mundo em mar de enganos

 

Ser louco cos demais, que ser sisudo.

Espaçonaves com luminosos cruzam o céu.

Pipas abaixo bailam ao sabor do vento.

Na mesa de bar o ébrio escreve no papel

o bilhete suicida  de ex-detento. 

 

Assim caminha a comunidade

sem se preocupar com a persona

Somos peças na   cidade

peças de quebra-cabeça  de  Górgona.

 

olhando ao longe o suicida

parece mais um poeta maldito

E mais um dia de sobrevida 

Desenvolmendo o escrito. 

 

Espaçonaves com luminosos cruzam o céu.

Pipas abaixo bailam ao sabor do vento.

Na mesa de bar o ébrio escreve no papel

o bilhete suicida  de ex-detento. 

 

Assim caminha a comunidade

sem se preocupar com a persona

Somos peças na   cidade

peças de quebra-cabeça  de  Górgona.

 

olhando ao longe o suicida

parece mais um poeta maldito

E mais um dia de sobrevida 

Desenvolmendo o escrito. 

 

 

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pode ser sua chance de ver um vislumbre do divino.

 

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